As terras de um homem rico produziram muitos frutos. E ele discorria consigo: Que hei de fazer pois não sei onde recolher os meus frutos? E disse: farei isto: derribarei os meus celeiros e os construirei maiores, e aí guardarei toda a colheita e os meus bens e direi a minha alma: Minha alma, tens muitos bens em depósito para largo anos, descansa come e bebe e regala-te.
Mas Deus disse-lhe: Insensato, esta noite te exigirão a tua alma; e as coisas que ajuntaste para quem serão?
Assim é aquele que entesoura para si e não é rico paroga com Deus.
A parábola do avarento é uma síntese maravilhosa do trágico fim de todos aqueles que não vêem a felicidade senão no dinheiro e se constituem em seus escravos incondicionais.
Periclita a família, cambaleie a sociedade, arrraste-se o mendigo pelas vias públicas envergonahdo e descomposto, chore e soluce aflito, grite de dores o enfermo miserável ou o inválido sem pão e sem lar, nada comove esses corações de pedra, nada lhes demove, nada consegue mudar-lhes ou desviar-lhes as vistas dos "seus frutos", dos seus celeiros, do seu ouro.
São homens desumanos, sem alma; pelo menos ignoram a existência em si mesmos, desse principio imortal que deve constituir , para todos, o principal objeto de cuidados e de carinho.
A AVAREZA É A VÉSPERA DA MENDICIDADE, ou seja, o fator da miséria,
Quantos miseráveis perambulam pelas praças, implorando o óbulo e que, mesmo nesta existência, foram ricos, sustentaram grandezas, bastos celeiros transbordantes!
Quantos párias se arrastam pelas ruas, a bater de porta em porta, implorando "uma esmola pelo amor de Deus!" Qual a origem dessa situação penosa que atravessam, qual a causa desses sofrimentos? A avareza! Ricos de dinheiro, eram pobres para com Deus, porque, embora não lhes faltasse tempo, nunca se dedicaram a Deus, nunca procuraram o proprio intimo em busca de algo que existe, que sente, que quer e que não quer, que ama e que odeia, que vê o passado, que, ao menos, teme o futuro; nunca buscaram saber se essa centelha de inteligência que lhes dar tanto amor ao ouro, tanta ganância pelos lucros terrenos poderá, quiçá, sobreviver a esse corpo que, de uma hora para outra, cairá exânime,e para ser entregue ao banquete dos vermes!
O que valem riquezas efêmeras, sombras de felicidade que se esvaem, sonhos de grandeza que desaparecem a primeira enfermidade de uma doença mortal! O que valem celeiros repletos em presença do "ladrão da morte" que chega em momento inesperado, e até nos julgamos em plena mocidade e com ótima saúde.
Miséros avarentos dos bens que Deus vos confiou! Pensais, porventura, que não tereis de prestar ao Senhor severas contas desse deposito? Pensai que eles hão de permanecer conosco e servirão para multiplicar cada vez mais a vossa fortuna? Em verdade vos afirmo que vosso ouro se converterá em brasas a causticar vossa consciência! Em verdade vos digo que ele se transformará em peias e algemas resultante da ação nefasta que exercestes em detrimento dos que tinham fome, dos que tinham sede, dos enfermos desprezados, dos pobres trabalhadores de quem explorastes o trabalho!
Ricos movimentais esse talento que o Senhor vos concedeu! Gramjeai amigos com esse tesouro da iniquidade para que eles vos auxiliem a entrar nos tabernáculos eternos! Fazei o bem, socorrei o pobre, amparai o órfão, auxiliai a viúva necessitada, curai o enfermo, como se ele fosse vosso irmão ou vosso filho, pagai com generosidade o trabalhador que está ao vosso serviço! Fazei mais: comprai livros, e aproveitai os momentos de ócio para vos instruir, porque um rico ignorante é tanto como um asno de sela dourada! ?Ilustrai o vosso Espírito; fazei para vos tesouros e celeiros nos Céus, onde os vermes não chegam , os ladrões não alcançam, a morte não entra!
Lembrai-vos da Parábola do Avarento, cuja alma , na mesma noite em que fazia castelos no ar, foi chamado pelo Senhor .
lv. Parábolas e Ensinos de Jesus - De Cairbar Schutel
Nenhum comentário:
Postar um comentário